Situação da de Difteria no Município São Paulo

  • Francisco Borges Vieira Faculdade de Medicina da Universidade de S. Paulo

Resumo

A incidência da difteria em São Paulo, após ter começado a baixar a partir de 1898, tornou-se entretanto algo estacionária em seu decréscimo nos últimos anos, ficando seus coeficientes de mortalidade entre 6 e 9 por 100.000 habitantes; entretanto, em 1938, êle foi de 4,49 por 100.000. O número de casos conhecidos passou de 40,04 por 100.000 habitantes em 1927, a 54,15 em 1934 a 75,52 em 1936; em 1937 e 1938 êles foram de 57,42 e 41,29 respectivamente, parecendo indicar alguma melhoria na situação. A taxa de fatalidade, de 18,79 em 1927, veio a 10,87, em 1938. O número de portadores de bacilos virulentos na Capital é avaliado em cêrca de 1%, seja 2.000 a 2.500, em idade escolar, representando fator importante na conservação da endemia. A incidência máxima se dá geralmente no mês de abril, sendo a mortalidade mais elevada em maio; os mínimos das curvas são em dezembro para a morbidade e janeiro para a mortalidade; não é propriamente, pois, nos meses mais frios, mas no outono. quando a temperatura começa a baixar, que se dá a maior incidência. Os coeficientes de correlação calculados entre casos e mortes com temperaturas médias mensais e chuvas nada deram de significativo, a não ser entre casos e queda pluviométrica, quando foi igual a - 0,26 +- 0,08, que mostra tendência muito discreta de correlação negativa, não se podendo, entretanto, emprestar ao mesmo caraterísticos de significação. A doença é um pouco mais frequente em homens que nas mulheres, de uma maneira geral. O máximo de preponderância, para ambos os sexos, permaneceu sempre abaixo de 5 anos e, em especial, entre 1 e 2 anos de idade. Até os 5 anos, é maior para o sexo masculino; a partir dessa idade o sexo feminino começa a ser mais atingido. Relativamente aos óbitos, a mesma cousà se nota, invertendo-se a curva, entretanto Ja a partir dos três anos, quando assume preponderância o sexo feminino. Relativamente à letalidade, verifica-se um risco maior nas crianças no primeiro ano de vida, quando foi de 35% a taxa de fatalidade, os meninos pagando maior tributo do que as meninas; a proporção de óbitos sôbre casos diminue progressivamente nas idades subsequentes. Durante o período estudado encontrou-se histórico de contacto anterior com doente de difteria ou suspeito em 12,52% apenas. A maioria dos casos foi hospitalizada (90%) , sendo nestes maior a fatalidade, devido certamente ao fato de remoções tardias e de, em geral, permanecerem em isolamento domiciliário os doentes menos graves. A situação. entretanto, vem melhorando, tendo, de 1927 a 1937, a percentagem ele fatalidade nos hospitalizados baixado de 20,3% a 11,4%. Apenas 2,1% dos casos já tinham sido atacados antes pela doença, sendo neles bem baixa a percentagem de fatalidade. Após discutir outros caraterísticos apresentados pela incidência da doença em São Paulo, conclue o A. opinando pela intensificação e maior sistematização das imunizações ativas pela anatoxina diftérica na Capital, preferencialmente pelo toxoide-alúmen, que deveria tornar-se compulsoria na infância. Nesse sentido, apresenta as bases de um ante-projecto de lei.

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Publicado
1939-06-16
Como Citar
Vieira, F. (1939). Situação da de Difteria no Município São Paulo. Boletim Do Instituto De Higiene De São Paulo, (66), 3-53. https://doi.org/10.11606/issn.2359-537X.v0i66p3-53
Seção
Artigos