"Salve-se quem puder"

dilemas de estudantes das universidades federais do Mato Grosso do Sul em tempo de pandemia

Palavras-chave: Covid-19, Biopolítica, Estudantes, Mato Grosso do Sul

Resumo

Neste ensaio, voltamos nossa reflexão para os efeitos sociais da covid-19 tomando como foco a realidade vivenciada por estudantes de universidades federais localizadas no Mato Grosso do Sul: a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Ao considerarmos que dentre as medidas, inicialmente adotadas, estiveram a escolha pelo trabalho remoto, por meio de estudos dirigidos, com a utilização de tecnologias digitais, há que se ponderar: em que medida tais iniciativas incidem diretamente no acesso e permanência de estudantes socialmente vulneráveis? A partir disso, é possível pensar sobre os limites e contradições das políticas e modelos de intervenção que desconsideram diferenças socialmente existentes e que, quando não democraticamente amadurecidas, tendem a ser tão perigosos quanto a própria pandemia ao se constituírem como mecanismos sutis e perversos de exclusão.

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Biografia do Autor

Esmael Alves de Oliveira, Universidade Federal da Grande Dourados

Professor Adjunto, em regime de dedicação exclusiva, do curso de Ciências Sociais, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGAnt) da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal da Grande Dourados (FCH/UFGD) e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (PPGAS/UFMS). Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Amazonas - UFAM (2007); Especialização em Antropologia -UFAM (2008); Mestrado em Antropologia Social - PPGAS/UFAM (2009); Doutorado em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina - PPGAS/UFSC (2014), com estágio doutoral na Universidade Eduardo Mondlane (UEM/Moçambique). Pesquisador vinculado ao Impróprias - Grupo de Pesquisa em Gênero, Sexualidade e Diferenças (UFMS/CNPq) e ao "DiVerso" : pesquis(ações) sob(re) resistências sociais (UFGD/CNPq). Realizou pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAS/UFRGS) junto ao Núcleo de Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde (Nupacs) - 2018/2019. Áreas de interesse: Antropologia do Corpo e da Saúde, Gênero e Sexualidade, Marcadores Sociais de Diferença.

Guilherme Rodrigues Passamani, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

Professor Adjunto da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), atuando no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e no Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais. Ministra aulas nas graduações de Ciências Sociais, Jornalismo, Audiovisual e Odontologia. Graduado em Ciências Sociais e História nas habilitações de licenciatura e bacharelado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Mestre em Integração Latino-Americana, com área de concentração em História Latino-Americana, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Doutor em Ciências Sociais na área de Estudos de Gênero pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Pesquisador visitante na Universidade de Coimbra (Portugal) entre 2007/2008 e pesquisador visitante na Universidade do Colorado - Boulder (Estados Unidos) entre 2014/2015. Coordenador do Núcleo de Estudos Néstor Perlongher - Cidade, Geração e Sexualidade (NENP/UFMS/CNPq). Autor dos livros O arco-íris (des)coberto (EdUFSM); Na batida da concha: sociabilidades juvenis e homossexualidades reservadas no interior do Rio Grande do Sul (EdUFSM) e Batalha de Confete. Envelhecimento, condutas homossexuais e regimes de visibilidade no Pantanal-MS (Papéis Selvagens Edições). Tem experiência na área de Antropologia. Principais temas de pesquisa: antropologia urbana, cidade, prostituição masculina, envelhecimento, condutas homossexuais, interseccionalidades e marcadores sociais da diferença. 

Marcelo Victor da Rosa, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

Possui graduação em Licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Catarina (1998), mestrado em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Catarina (2004) e Doutorado em Educação na Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2016). Atualmente é professor adjunto 3 e atua como professor no Programa de Pós-Graduação Mestrado em Estudos Culturais, Campus de Aquidauana, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Desempenhou o papel de tutor do PET Educação Física de fevereiro de 2010 a julho de 2014 e sou Diretor Artístico do Bailah: grupo coreográfico em dança de salão. Coordenou os programas: PIBID e Residência Pedagógica do Curso de Educação Física entre 2018 a 2019. Foi coordenador dos cursos de Bacharelado e Licenciatura em Educação Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul entre 2017 a 2019. Tem experiência na área de Educação Física, com ênfase em Educação Física Escolar, Dança, Gênero, Sexualidade e Corpo, tendo como principal referência teórica Michel Foucault.

Tiago Duque, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

Tiago Duque é professor do Bacharelado em Ciências Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Campus de Campo Grande), do Mestrado em Educação (Campus do Pantanal - Corumbá) e do Mestrado em Antropologia Social da Faculdade de Ciências Humanas (FACH). Desenvolveu estágio de Pós-Doutorado na Faculdade de Educação (FACED) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), junto ao Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero (GEERGE). Possui doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP (2013) e mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar (2009). Fez bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais (2005) e bacharelado em Ciências Religiosas (1999) pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC Campinas. Foi professor e coordenou a área de sociologia no Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIBID/CAPES) da mesma instituição. Também tem experiência como professor no Ensino Fundamental e Médio, Educação Social de Rua, Movimentos Sociais e Educação à Distância. Atuou no Governo Municipal de Campinas, na Secretaria de Saúde, como assessor do Núcleo de Educação e Comunicação Social (NECS) do Programa Municipal de DST/Aids. Participou da implementação da Área de Pesquisa "Diversidade sexual, poder e diferença" junto ao PAGU - Núcleo de Estudos de Gênero - UNICAMP. É coordenador do Impróprias - Grupo de pesquisa em gênero, sexualidade e diferenças (CNPq/UFMS). É membro da Comissão Permanente Consultiva de Ações Afirmativas da UFMS. Está como coordenador do GT 23 - "Gênero, Sexualidade e Educação" da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação da Região Centro-Oeste (ANPed -CO).

Referências

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SANTOS, Boaventura de Sousa. 2020. A cruel pedagogia do vírus. Coimbra: Almedina.

Publicado
2020-06-22
Como Citar
Oliveira, E., Passamani, G., Rosa, M., & Duque, T. (2020). "Salve-se quem puder&quot;. Cadernos De Campo (São Paulo 1991), 29(supl), 65-74. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp65-74
Seção
Artigos e Ensaios