Sociabilidade pandêmica?

o que uma Antropologia urbana pode dizer a respeito da crise deflagrada pela COVID-19

Palavras-chave: Antropologia Urbana, Sociabilidade, Corpo, Pandemia, COVID-19, Cidade de São Paulo

Resumo

No contexto global da crise sanitarista, a cidade de São Paulo, epicentro da pandemia no Brasil, também se viu diante da necessidade de retenção dos corpos em movimentação, enunciando medidas restritivas de urgência num quadro geral denominado de quarentena. Paradoxalmente, percepções aparentemente lúdicas e jocosas de se lidar com a pandemia puderam ser observadas nos meandros da sociabilidade citadina, chamando nossa atenção para os usos de alguns conceitos e noções caros à Antropologia Urbana. Esse texto discute como essa conjuntura de sofrimento se desdobrou em manejos mais lábeis numa sintomatologia popular, sem desconsiderar o potencial analítico da noção de sociabilidade ao lidar com a politização de corpos dispostos a operar a partir do cenário que moldou localmente a pandemia: de um lado, estratégias políticas e científicas orientando as ações públicas na administração da cidade e, do outro, a presença de contradiscursos anti-intelectualistas e/ou cientificistas dissonantes ressoados pelas esferas federais de poder.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luiz Henrique de Toledo, Universidade Federal de São Carlos - UFSCar

Doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). Professor-pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Coordenador do Laboratório de Estudos das Práticas Lúdicas e Sociabilidade (LELuS). Autor de Lógicas no futebol (Hucitec-Fapesp, 2002); Remexer anotações: o trabalho de um arguidor antropólogo (Edufscar, 2019). E-mail: kikeppgas@gmail.com

Roberto de Alencar Pereira de Souza Junior, Universidade Federal de São Carlos - UFSCar

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de São Carlos (PPGAS-UFSCar). Bacharel em Ciências Sociais pela UFSCar (2019), membro do Laboratório de Estudos das Práticas Lúdicas e Sociabilidade (LELuS – UFSCar). Trabalha com Antropologia Urbana e Antropologia das Práticas Esportivas, sobretudo em perspectiva etnográfica com torcidas organizadas de futebol que são também escolas de samba do carnaval paulistano.

Referências

BRANCALEONE, C. 2008. Comunidade, sociedade e sociabilidade: revisitando

Ferdinand Tönnies. In: Revista de Ciências Sociais, vol. 39, n 1, p. 98-104.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix. 1995 [1980]. Introdução: rizoma. In: Mil Platôs, vol 1, Editora 34.

FRÚGOLI JR, H. 2007. Sociabilidade Urbana. Coleção passo a passo. Rio de Janeiro, Jorge Zahar editores.

GEERTZ, Cliffort. 2001. O senso comum como sistema cultural. Petrópolis, Vozes.

LIMA, Tânia Stolze. 2000. Que é um corpo? In: Religião e Sociedade, n. 22, v. 1, p. 9-20.

MACHADO, Giancarlo Marques Carraro. 2019. Mão na massa e skate no pé: práticas citadinas nas novas centralidades paulistanas. In: Anuário Antropológico, vol 1, p. 285-305. DOI: https://doi.org/10.4000/aa.3523

MAGNANI, José Guilherme. 2019. Aula inaugural. Antropologia Urbana: da metrópole à aldeia. In: Aceno, vol. 6, n. 11, p. 11-30.

MAIA, R. 2001. Sociabilidade: apenas um conceito? In: GERAES, n. 53, p. 4-15.

SEEGER, Anthony; DAMATTA, Roberto & VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. 1979. A Construção da pessoa nas sociedades indígenas brasileiras. In: Boletim do Museu Nacional, n. 32, p. 2-19.

SEVCENKO, Nicolau. 2010 [1984]. A revolta da vacina. Mentes insanas em corpos rebeldes. São Paulo, Cosacnaify.

SIMMEL, G. 2006. Sociabilidade. Questões fundamentais de sociologia. Rio de Janeiro, Zahar.

STRATHERN, Marylin. 1999. No limite de uma certa linguagem (entrevista). In: Mana, vol. 5, n. 2, p. 157-175.

TIBLE, Jean. 2019. Movimentos. In: Cadernos de Campo, vol 28. n.2, p. 15-20. DOI 10.11606/issn.2316-9133.v28i2p15-20

TOLEDO, Luiz Henrique. 2007. Corporalidade e festa na metrópole. In: MAGNANI, José Guilherme (org); SOUZA, Bruna Mantese (org). Jovens na metrópole: etnografias de circuitos de lazer, encontro e sociabilidade. São Paulo, Terceiro Nome, (posfácio).

TOLEDO, Luiz Henrique. 2020. Sociabilidade: etnografia de um conceito. In CAMARGO, Wagner, PISANI, Mariane, ROJO, Luiz (Orgs). Vinte anos de diálogos. Os esportes na Antropologia Brasileira. ABA, (no prelo).

WAIZBORT, L. 2013. As aventuras de Georg Simmel. São Paulo: Editora 34.

Publicado
2020-06-17
Como Citar
Toledo, L., & Souza Junior, R. (2020). Sociabilidade pandêmica?. Cadernos De Campo (São Paulo 1991), 29(supl), 53-64. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp53-64
Seção
Artigos e Ensaios