ROLAND BARTHES E A ANATOMIA PALIMPSÉSTICA

  • Cristiano Bedin Costa Centro Universitário Univates
Palavras-chave: Roland Barthes, Corpo, Escrita, Palimpsesto

Resumo

Em Roland Barthes por Roland Barthes, recebemos a seguinte indicação de leitura: “Tudo isso deve ser considerado como dito por um personagem de romance”. A frase, ao introduzir aquilo que Eric Marty define como um jogo carnavalesco em que o “eu”, o “ele” e o “vós” alternam-se constantemente, desorganiza o discurso autobiográfico regulado pelas prescrições modernas, fazendo da obra um verdadeiro patchwork: re-escrituras, acréscimos, obliterações em meio aos livros, aos temas, às lembranças, de modo que essa nova enunciação não permite saber se é do presente ou do passado que se fala, tampouco se é mesmo da vida daquele que escreve que se diz. Para Françoise Gaillard, isso se deve ao fato de que a biografia Barthesiana não toma o bios enquanto representante do vivido, mas sim da vida no que tem de mais orgânico: o corpo em suas constantes dilatações e invenções. De fato, em Barthes, o corpo é sempre atópico, incapaz de ser apreendido em sua totalidade. Nele, há sempre um excesso, um rasto insignificante, um mais além de todo sentido. Escrevê-lo, portanto, é participar de uma dispersão: em meio à música, à literatura, à fotografia, ao cotidiano. Esse excesso, essa mistura anti-hierárquica de linguagens e afectos compondo uma anatomia palimpsesticamente impura, é o que aqui deverá nos interessar.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Cristiano Bedin Costa, Centro Universitário Univates
Psicólogo; Doutor em Educação; Docente no Centro Universitário Univates/Lajeado/RS

Referências

BARTHES, Roland. Roland Barthes por Roland Barthes. Trad. Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Estação Liberdade, 2003.

BARTHES, Roland. A preparação do romance I: da vida à obra. Trad. Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

BARTHES, Roland. Aula. Trad. Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Editora Cultrix, 2007a.

BARTHES, Roland. Fragmentos de um discurso amoroso. Trad. Márcia Valéria Martinez de Aguiar. São Paulo: Martins Fontes, 2007b.

BARTHES, Roland. O óbvio e o obtuso. Trad. Isabel Pascoal. Lisboa: Edições 70, 2009.

CORAZZA, S. O que se transcria em educação? Porto Alegre: UFRGS; Doisa, 2013.

FOUCAULT, M. O corpo utópico; As heterotopias (Trad. Selma Tannus Muchail). São Paulo: n-1 Edições, 2013.

MARTY, E. Roland Barthes, o ofício de escrever. Trad. Daniela Cerdeira. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009.

Publicado
2015-12-30
Como Citar
Costa, C. (2015). ROLAND BARTHES E A ANATOMIA PALIMPSÉSTICA. Revista Criação & Crítica, (spe), 68-73. https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.v0ispep68-73