Análise empírica da fragilidade ambiental da bacia hidrográfica do rio Duas Bocas, Espírito Santo, Brasil

Palavras-chave: Fragilidade ambiental, Bacias hidrográficas, SIG

Resumo

O estudo teve como propósito analisar a Fragilidade Ambiental Potencial (FAP) e Emergente (FAE) da bacia hidrográfica do rio Duas Bocas, Espírito Santo, por meio da integração das variáveis: declividade, geomorfologia, solos, uso e cobertura da terra e precipitação de 1970, 2008 e 2012. A metodologia dividiu-se em três etapas: a primeira correspondeu a pesquisas bibliográficas e aquisição de dados vetoriais e matriciais. Na segunda etapa foram realizados levantamentos de campo para o reconhecimento da área e validação dos produtos cartográficos in loco. A terceira etapa ficou a cargo dos trabalhos de gabinete com a elaboração dos produtos cartográficos. Com a análise dos resultados contatou-se que a FAP apresentou as classes alta e muito alta na nas porções central e superior da bacia, com presença de Cambissolos Háplicos e Neossolos Litólicos em relevo fortemente dissecado e declividades acima de 30%. Na porção inferior as classes foram baixa e média com presença de Latossolos Vermelho-Amarelo e Gleissolos, em relevo suave ondulado e plano, com declividade entre 0 a 6% e 6% a 12%. A FAE teve uma atenuação na porção superior, devido ao uso da terra (mata nativa), com classes muito baixa e baixa. Já na porção central a classe foi alta e média (exceção 1970), e na inferior classe baixa e média, tendo pastagem como uso e alguns pontos com classe muito baixa, devida a fragmentos de mata nativa, com alta e média em 1970 na planície fluvial. Contudo, a metodologia utilizada mostrou-se satisfatória quanto à fragilidade ambiental.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

James Rafael Ulisses dos Santos, Universidade Federal do Espírito Santo

Programa de Pós-Graduação em Geografia -PPGG

Geografia Física (Geomorfologia)

Eberval Marchioro, Universidade Federal do Espírito Santo

Possui graduação em Geografia pela Universidade Federal do Espírito Santo (1996), mestrado em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2002) e, doutorado em Geografia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (2008). Membro da Diretoria da União da Geomorfologia Brasileira, na qual atuou como Secretário (Gestão 2013-2016). Tem experiência na área de Geografia física, com ênfase em: Geomorfologia (Processos erosivos, movimentos de massa), Modelagem ambiental (modelagem hidrossedimentológica e de processos de encostas) e, Hidrologia Continental (encosta e bacia hidrográfica).

Referências

AMARAL, R; ROSS, J. L. S. As Unidades Ecodinâmicas na Análise da Fragilidade Ambiental do Parque Estadual do Morro do Diabo e Entorno, Teodoro Sampaio/SP. GEOUSP - Espaço e Tempo, n. 26, São Paulo, 2009.

AMORIM, R. C. F; RIBEIRO, A; LEITE, C.C; LEAL, B.G; SILVA, J.B.G. Avaliação do Desempenho de dois Métodos de Espacialização da Precipitação Pluvial para o Estado de Alagoas. Acta Scientiarum - Technology, v. 30, n. 1, 2008. p.87-91.

BASTOS, K. V et al. Ritmo Pluviométrico da Bacia do Rio Duas Bocas (ES). I Simpósio Internacional de Águas, Solos e Geotecnologias – SASGEO, Uberaba-MG, 2015.

BERTRAND, G. Paisagem e Geografia Física Global: Esboço Metodológico. In: BERTRAN, G; BERTRAND, C (Orgs). Uma Geografia Transversal e de Travessias: o meio ambientes através dos territórios e das temporalidades. Organizador: Messias Modesto do Passos. Maringá: Ed. Massoni, 2007.

BOJÓRQUEZ-TAPIA, L. A; CRUZ-BELLO, G. M; LUNA-GONZÁLEZ, L. Connotative land degradation mapping: a knowledge-based approach to land degradation assessment. Environmental Modelling & Software 2013; 40: 51-64. http://www.doi.org/10.1016/j.envsoft.2012.07.009, 2013.

CARMO, J. P. A; SOUZA, G. F; POLIDERO, M; LOLLO, J. A. Análise da Fragilidade Ambiental em Áreas Urbanas. O caso do município de Londrina – PR. Anais XV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto – SBSR. INPE. Curitiba, 2011. p.0855.

CASTRO, W. J.; LEMKE-DE-CASTRO, M. L.; OLIVEIRA LIMA, J.; OLIVEIRA, L. F. C. RODRIGUES, C.; FIGUEIREDO, C. C. Erodibilidade de solos do Cerrado Goiano. Revista Agronegócios e Meio Ambiente, v. 4, n. 2, p.305-320, 2011.

CHILDS, C. Interpolating Surfaces In: ArcGIS Spatial Analyst. ArcUse, 2004.

CPRM-COMPANHIA DE PESQUISA E RECURSOS MINERAIS. Geologia e recursos minerais da folha Nova Venécia SE.24-Y-B-IV, estado do Espírito Santo, escala 1:100.000. Organizadores: QUEIROGA, G. N et al. Belo Horizonte: CPRM, 2012.

CRUZ, L. M; JÚNIOR, J. F. P; RODRIGUES, S. C. Abordagem Cartográfica da Fragilidade Ambiental na Bacia Hidrográfica do Glória – MG. Revista Brasileira de Cartografia nº 62/03, (ISSN 0560-4613), 2010.

CUNHA, E. R.; BACANI, V. M. Caracterização da fragilidade ambiental da bacia hidrográfica do córrego Come Onça, Água Clara - MS. Acta Geográfica, v. 10, n. 22, p.193–205, DOI: http://www.doi.org/10.5654/acta.v10i22.2456, 2016.

CUNHA, S. B da. Morfologia dos Canais Urbanos. In: POLETO, C (Org.). Ambiente e Sedimento. ABRH. Porto Alegre, 2008, Cap.9, 404p.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA - EMBRAPA. Sistema Brasileiro de classificação de solos. Humberto Gonçalves dos Santos et al. 3 ed. rev. ampl. Brasília, 2013. 353p.

ESRI – Environmental Systems Research Institute, Inc., 2016, User Manual – Help Online, version 10.5. Disponível em: http://www.esri.com Acesso em: 20 de Julho de 2019.

GOUVEIA, I. C.M.C; ROSS, J. L. S. Fragilidade Ambiental: uma Proposta de Aplicação de Geomorphons para a Variável Relevo. Revista do Departamento de Geografia, 37 São Paulo, 123-136, 2019. http://www.doi.org/10.11606/rdg.v37i0.151030.

GOVERNO DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO. Lei nº 2.095, de 12 de Janeiro de 1965, 2020. Disponível em: http://servicos.iema.es.gov.br/legislacao/FileHandler.ashx?id=267&type=2.

GOVERNO DO ESTADO DO ESPIRITO SANTO. Lei nº 4.503, de 02 de Janeiro de 1991, 2020. Disponível em: http://www3.al.es.gov.br/Arquivo/Documents/legislacao/html/LEI45031991.html

IJSN- INSTITUTO JONES DOS SANTOS NEVES. Mapeamento Geomorfológico do Estado do Espírito Santo. 19 f. Nota Técnica 28 Vitória, ES, 2012.

JAIN, S. K; GOEL, M.K. Assessing the vulnerability to soil erosion of the Ukai Dam catchments using remote sensing and GIS. Hydrological Sciences Journal; 47(1): 31-40. http://www.doi.org/10.1080/02626660209492905, 2002.

JÚNIOR; J. L. S; OLIVEIRA, J. H. M. Caracterização da Vulnerabilidade à Erosão dos Solos da bacia do rio Juliana: APA do Pratigi-BA. Anais XVII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, INPE, João Pessoa-PB, 25 a 29 de abril de 2015.

KAPPES, M.S; PAPATHOMA-KÖHLE, M; KEILER, M. Assessing physical vulnerability for multi-hazards using an indicator-based methodology. Applied Geography (Sevenoaks, England); 32(2): 577-590. http://www.doi.org/10.1016/j. apgeog.2011.07.002, 2012.

KAWAKUBO, F. S; MORATO, R.G; CAMPOS, K.C; LUCHIARI, A; ROSS, J.L.S. Caracterização empírica da fragilidade ambiental utilizando geoprocessamento. In: Anais XII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto; 2005; São José dos Campos. Goiânia: INPE; 2005. p. 2203-2210.

MARCHIORO, E; BARROSO, G. F. Avaliação de Sólidos Transportados, Parâmetros da Morfometria e Solos de Seções Fluviais do Córrego Naiá-assú (Reserva Biológica de Duas Bocas/ES. Caderno de Pesquisa (PPGE/UFES), Espírito Santo, V. 01, N.01, 1996, p. 185-195.

MARTÍN-DUQUE, J. F; GARCÍA, JC; URQUÍ, LC. Geoheritage information for geoconservation and geotourism through the categorization of landforms in a Karstic Landscape: a case study from Covalagua and Las Tuerces (Palencia, Spain). Geoheritage; 4(1-2): 93-108. http://www.doi.org/10.1007/s12371-012-0056-2, 2012.

MARTINS, R.N; COLARES, A.P.F; ALMEIDA, S.L.H; ZANELLA, M.A; NERY, C.V.M. Fragilidade potencial e emergente na bacia do rio Peruaçu, região norte de Minas Gerais. Revista Brasileira de Geomática, Curitiba, v. 6, n. 2, p. 99-118, abr/jun. 2018.

MAXIMIANO, L. A. Considerações sobre o conceito de paisagem. Revista RA’E GA, Curitiba, n. 8, p. 83-91, 2004.

MESSIAS, C. G.; FERREIRA, M. F. M.; RIBEIRO, M. B. P.; MENEZES, M. D. Análise empírica de fragilidade ambiental utilizando técnicas de geoprocessamento: o caso da área de influência da hidrelétrica do Funil – MG. Revista Geonorte, v. 2, n. 4, p. 112-125, 2012.

NETO, M. C. P.; FERNANDES, E. Fragilidade ambiental da bacia hidrográfica do rio Seridó (RN/PB – Brasil). Revista Brasileira de Geomorfologia, v. 16, n. 3, p. 399-411, 2015.http://www.doi.org/10.20502/rbg.v16i3.603.

PERRONE, A. Estudos Preliminares sobre a Carga de Sólidos Transportados, Parâmetros Morfométricos e Pluviométricos da Bacia do Córrego Pau Amarelo – Reserva Biológica de Duas Bocas – ES. 1995, 55f. Monografia (Graduação) – Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 1995.

RADAMBRASIL. Projeto Radam Brasil. Folhas 23/24 Rio de Janeiro/Vitória.V. 32, Rio de Janeiro, 1983.

RATCLIFFE, D.A. Criteria for the selection of nature reserves. Advancement of Sciences, 27: 294-296, 1971.

ROCHA, A. S.; CUNHA, J. E.; MARTINS, V. M. Mapeamento das fragilidades potencial e emergente da Bacia Hidrográfica do Córrego Guavirá, Marechal Cândido Rondon – Paraná. Revista Perspectiva Geográfica, v. 8, n. 9, p.1-21, 2013.

RODRIGUEZ, J. M. M; SILVA, E. V; CAVALCANTI, A. P. B. Geoecologia das Paisagens: Uma Visão Geossistêmica da Análise Ambiental. Ed. 2ª Editora: UFC, Fortaleza, 2007.

ROSS, J. L. S. Análise empírica da fragilidade dos ambientes naturais e antropizados. Revista do Departamento de Geografia, v. 8, n. 1, p. 3-12, 1994. http://www.doi.org/10.7154/RDG.1994.0008.0006.

ROSS, J. L. S. Ecogeografia do Brasil: Subsídios para planejamento ambiental. São Paulo: Editora Oficina de Textos, 2006.

ROSS, J.L.S. Landforms and environmental planning: Potentialities and Fragilities. Revista do Departamento de Geografia. 38-51, 2012.

SALGUEIRO, T.B. Paisagem e Geografia. Finisterra, Lisboa, XXXVI, 72, P. 37-53, 2001.

SANTOS, C. A; SOBREIRA, F. G. Análise da Fragilidade e Vulnerabilidade Natural dos Terrenos aos Processos Erosivos como base para o Ordenamento Territorial: o caso das bacias do Córrego Carioca, Córrego do Bação e Ribeirão Carioca na Região do Alto Rio das Velhas-MG. Revista Brasileira de Geomorfologia, Ano 9, n. 1 2008.

SANTOS, C. N. C. de. Entre o litoral Sul de Sergipe e o litoral Norte da Bahia: onde as políticas territoriais se encontram. 2017. 292f. Tese (Doutorado em Geografia) Programa de pós-Graduação em Geografia, Universidade Federal de Sergipe. São Cristóvão, 2017.

SANTOS, J.R.U; MARCHIORO, E. Fragilidade Emergente da Bacia Hidrográfica do Rio Duas Bocas, Espírito Santo: uma análise integradora da paisagem. Revista GEOgrafias, v.26, n.2, (ISSN 2237-549X), 2018.

SANTOS, R. F. Planejamento Ambiental: Teoria e Prática. Ed. Oficina de Textos. São Paulo, 2004.

SCHIER, R. A. Trajetórias do conceito de paisagem na geografia. Revista RA’E GA, Curitiba, n. 7, p. 79-85, 2003.

SILVEIRA, C.T; OKA-FIORI, C. Análise Empírica da Fragilidade Potencial e Emergente da bacia do rio Cubatãozinho, Estado do Paraná. Caminhos de Geografia, Uberlândia v. 8, n. 22, set/2007 p. 1 – 17.

SILVEIRA, E. L. D. Paisagem: um conceito chave em Geografia. In: 12º Encontro de Geógrafos da América Latina - EGAL, Montevidéo. 2009.

SOUZA, S.O; VALE, C.C. Vulnerabilidade Ambiental da Planície Costeira de Caravelas (BA) como subsídio ao Ordenamento Ambiental. Sociedade & Natureza, Uberlândia, 28 (1): 147-160, jan/abr/2016.

SPÖRL C.; ROSS J. L. S. Análise comparativa da fragilidade ambiental com aplicação de três modelos. GEOUSP. Espaço e Tempo, São Paulo, n. 15. p. 39-49, 2004.

TRICART, J. Ecodinâmica. Rio de Janeiro: FIBGE, Secretaria de Planejamento da Presidência da República, 1977. 97p.

VALLE, I. C; FRANCELINO, M.R; PINHEIRO, H.S.K. Mapeamento da Fragilidade Ambiental na Bacia do Rio Aldeia Velha, RJ. Floresta e Ambiente. 23(2): 295-308, ISSN 2179-8087 (online), 2016. http://www.doi.org/10.1590/2179-8087.107714.

Publicado
2020-06-26
Como Citar
Santos, J., & Marchioro, E. (2020). Análise empírica da fragilidade ambiental da bacia hidrográfica do rio Duas Bocas, Espírito Santo, Brasil. Revista Do Departamento De Geografia, 39, 72-87. https://doi.org/10.11606/rdg.v39i0.160946
Seção
Artigos