Restauração, reinvenção e recordação: recuperando identidades sob a escravização na áfrica e face à escravidão no Brasil

  • Joseph C Miller Virginia University
Palavras-chave: Identidades africanas, América portuguesa/Brasil, Comunidades escravas, Séculos XVII ao XIX

Resumo

O artigo propõe uma leitura criativa e "especulativa" das experiências dos africanos que, por sua escravização, conectaram a África à Ámerica, e a Ámerica à África durante a época do comércio de escravos. Dialogando com a historiografia da escravidão nas Ámericas, com especial atenção para os historiadores brasileiros, a discussão focaliza a elaboração e invenção de identidades para além da polarização simplista do debate entre os partidários dos "africanismos" e os defensores da "crioulização". Tentando compreender a escravidão nos termos em que esta era pensada pelos próprios africanos e seus descendentes e mais como um processo histórico do que uma "instituição" abstrata. Miller mostra que a busca por laços sociais e constituição de novas comunidades eram os meios capazes de neutralizar a dispersão, a violência e o isolamento da escravização. Em outras palavras re-estabeleceram os sentimentos de pertencimento e de segurança pessoal mínimos. Das confrarias reliogiosas e das comunidades de refugiados, às maltas de capoeira, aos reinados congos e às associações de ajuda mútua, dos anos formativos (séculos XVI ao XVII) da sociedade luso-brasileira, passando pelo século XVIII e chegando ao Brasil independente, o artigo acompanha processos complexos de constituição de conexões que, segundo Miller, só podem ser lidos numa perspectiva pautada pela compreensão do tema em diferentes contextos e momentos da sociedade escravista e em suas articulações com uma África de muitos significados.

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Publicado
2011-06-30