Análise da sonoridade em peças para piano

uma abordagem a partir da performance

  • Bibiana Bragagnolo Universidade Federal de Mato Grosso
  • Didier Guigue Univerisidade Federal da Paraíba
Palavras-chave: Performance, Análise, Piano, Pesquisa artística, Sonoridade

Resumo

Este artigo apresenta uma análise da sonoridade em partes selecionadas de duas performances das Cartas Celestes I (1974) de Almeida Prado, para piano solo, e desta peça como um todo. O objetivo principal desta análise é apresentar uma metodologia onde as decisões performáticas são compreendidas como importantes fontes de informação, com atenção especial para os aspectos sonoros da peça. Neste contexto, a obra musical é entendida como processo, uma vez que a partitura é apenas um dos elementos que influenciarão no resultado final (Costa, 2016). A metodologia consistiu em três etapas principais, e se baseou na metodologia de análise da sonoridade de Guigue (2009): (1) a primeira etapa foi o processo artístico, que levou à construção das duas performances da peça pela mesma pianista (a primeira autora deste artigo), com diferentes e contrastantes decisões performáticas, e as gravações destas; (2) então, a peça foi dividida em unidades sonoras homogêneas, sempre tendo as decisões performáticas como guias e; (3) por fim, estas unidades foram analisadas utilizando os softwares Spear Sonic Visualiser para os arquivos de áudio e Open Music para arquivos MIDI. A metodologia teve como intenção incluir a performance no escopo da análise musical, uma vez que as decisões performáticas podem levar a diferenças dramáticas no resultado sonoro final da obra musical.

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Biografia do Autor

Bibiana Bragagnolo, Universidade Federal de Mato Grosso

Bibiana Bragagnolo é Doutora em Musicologia pela Universidade Federal da Paraíba, sob a orientação do Prof. Dr. Didier Guigue, com período de doutorado sanduíche na Universidade de Aveiro, financiado pela CAPES e sob orientação do Prof. Dr. Luca Chiantore. Bibiana tem desenvolvido atividades como pianista, atuando principalmente dentro do grupo de música experimental Artesanato Furioso, e como pesquisadora, sobretudo na temática da inserção da performance na análise musical e no campo da pesquisa artística. Em 2018 recebeu menção honrosa no Prêmio TeMA pelo artigo "Os contrastes sonoros em Contrastes de Marisa Rezende" e em 2015 realizou, como solista, a estreia brasileira do Concerto para Piano Preparado e Orquestra de Câmara de John Cage. É Professora Adjunta no Departamento de Artes da Universidade Federal de Mato Grosso, nas áreas de piano, performance e educação musical.

Didier Guigue, Univerisidade Federal da Paraíba

Possui Licenciatura em Música (1979), Mestrado em Música (1989, orientação de Horacio Vaggione), e Diplôme d'Etudes Approfondies en Esthétique, Sciences et Technologies des Arts (1990, orientação de Horacio Vaggione), pela Université de Paris VIII; Doutorado em Música e Musicologia do Séc. XX pela Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (1996) (orientação de Hugues Dufourt). Realizou em 2007/2008 pós-doutorado no CICM (Maison des Sciences de lHommes Paris-Nord, Université de Paris-8), tendo Horacio Vaggione como colaborador. Professor Titular (aposentado) da Universidade Federal da Paraíba, continua atuando, como voluntário, no Programa de Pós-graduação em Música desta Instituição, do qual é um dos professores fundadores, as linhas de pesquisa e seminários nas áreas de "Sonologia" e "Musicologia". Também é Pesquisador Colaborador do NICS (Núcleo Interdisciplinar de Criação Sonora) na UNICAMP (Campinas/SP), e colabora regularmente no Programa de Pós-Graduação em Música da UFRJ (Rio de Janeiro). É membro fundador do COMPOMUS (Laboratório de Composicão da UFPB), diretor do Grupo de Pesquisas Mus3 (Musicologia, Sonologia e Tecnologia), e membro do Coletivo Artesanato Furioso. Consultor da CAPES e pesquisador e consultor no CNPQ, também é pesquisador associado ao IREMUS (Université de Paris-Sorbonne, Groupe de Recherche en Musique Brésilienne). Tem experiência na área de Artes, com ênfase em teoria e tecnologia da Música, atuando principalmente nos seguintes temas: teoria e estética musical, metodologias de análise, música do séc. XIX, XX e XXI, sonologia, computação aplicada a música, músicas em suportes digitais. Seu livro Estética da Sonoridade (Perspectiva, 2011) sintetiza bem o âmbito e o estado da sua pesquisa musicológica até aquele momento.

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Publicado
2020-07-06
Como Citar
Bragagnolo, B., & Guigue, D. (2020). Análise da sonoridade em peças para piano. Revista Música, 20(1), 219-248. https://doi.org/10.11606/rm.v20i1.168644