Roberto Carlos como mediador cultural

Música jovem, TV e rádio

Palavras-chave: Roberto Carlos, Jovem Guarda, Juventude, Rádio, Televisão

Resumo

Os anos 1960 experimentaram profundas modificações nas hierarquias de poder da música popular brasileira. Entre as causas para esse fenômeno, duas nos interessam em particular: a perda de centralidade do rádio, que cede terreno à televisão, além da construção de um nicho de música jovem, decorrente do fenômeno da Jovem Guarda. Este artigo tem por objetivo estudar a trajetória de Roberto Carlos nesse período, tomando-o como um mediador cultural, agente de trânsito e intersecção que conformou e adaptou os signos do rádio à televisão e, ao mesmo tempo, conseguiu se afirmar como ídolo das massas, mas também da juventude.

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Biografia do Autor

Marcelo Garson, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Professor adjunto do Departamento de Comunicação da UFPR, doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo

Referências

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Filme
Roberto Carlos em ritmo de aventura. (1968), Direção de Roberto Farias. 98 min., 35 mm, color, São Paulo, Sonopress; Sony Music Entertainment, DVD.
Publicado
2020-08-05
Como Citar
Garson, M. (2020). Roberto Carlos como mediador cultural. Tempo Social, 32(2), 101-122. https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2020.168418
Seção
Dossiê - Trajetórias de consagração cultural: entre a autonomia e a heteronomia